12/out/2009
Rotina
Não se contam as ilusões
nem as compreensões amargas,
não há medida para contar o que não podia acontecer-nos,
o que nos rondou como besouro
sem que tivéssemos percebido
do que estávamos perdendo
(…)
Tantas asas circunvoaram
as motanhas da tristeza
e tantas rodas sacudiram
a estrada do destino
que já não há nada a perder.
Terminram-se os lamentos.
(O tempo que não se perdeu – Neruda em O coração amarelo )
O trabalho que tanto esperava começou. Não que eu tenha deixado de esperar outras coisas da minha vida de labor, mas, de fato, tenho conseguido realizar alguns projetos que pareciam adormecidos. Conseguimos, finalmente, montar uma equipe de trabalho competente e comprometida com o que esperamos para o próximo ano e isso tem me dado esperanças quanto aos resultados a médio ou longo prazo.
Ilustrando: tenho dois trabalhos. Sou advogada em um escritório e também presto assessoria jurídica. As esperanças a que me refiro estão no segundo. Ali, estamos desenvolvendo propostas interessantíssimas e começando a trabalhar mais próximos das comunidades. Pelas minhas contas, nos últimos 2 meses devo ter visitado mais de 10 municípios, ouvindo gente e carregando nos meus cadernos dezenas de demandas populares.
Uma delas é a formação ou fortalecimento de associações e cooperativas que auxiliem as pessoas nos seus projetos habitacionais e de cunho cultural. É um trabalho desgastante e prazeroso. Percorrer, agora não estudando para uma avaliação, os códigos para encontrar aplicabilidade da norma para aquela pequena comunidade fincada entre uma serra e outra, longe dos hospitais e dos cinemas, longe do asfalto e dos centros — estimulando o direito à associação, explicando as vantagens de, juntos, tentarem caminhar em outro sentido. E é gratificante contribuir para uma conquista pessoal ou popular sabendo que, no fim de tudo, não perdi tempo estudando leis e parágrafos e alíneas.












Adelante!!!